A realização combinada: ser mãe e profissional

MaternidadeIndependente da razão que leva uma mãe ter que delegar os cuidados do seu filho a uma escola, creche, babá ou alguém da família, todos sabemos que esta tarefa não é nada fácil, e que causa em grande parte das vezes um sentimento de culpa, incerteza e aquela sensação de que “ninguém saberá cuidar como eu”. Este é um assunto que tem sido cada vez mais pauta tanto nos consultórios de psicologia quanto dentro das empresas.

Estamos falando de grande parte da geração de mulheres nascidas nas décadas de 70 e 80, que estão hoje engajadas e em sua maioria realizadas profissionalmente. A opção pelo casamento após os 30 adiou consequentemente a vinda dos filhos, e quando eles chegam o conflito entre ser mãe e continuar com o mesmo ritmo de carreira é inevitável.

Muitas vezes pode parecer impossível conciliar trabalho e maternidade. A imprevisível rotina de ser mãe nos surpreende com filhos que dormem saudáveis e amanhecem doentinhos, precisando do nosso colo; Aquele compromisso de trabalho que estava previsto acabar a tempo de pegar o filho(a) atrasa e cria uma confusão na rotina, enfim. É sabido que a vida será mais agitada e por que não dizer cansativa. Porém há dicas úteis para nos ajudar nesta empreitada:

  1. Conheça seus limites. Reconheça quando estiver se sentindo sobrecarregada e peça ajuda;
  2. Dê sempre o melhor de si, mas não queira ser perfeita – a melhor esposa, a melhor profissional, a melhor dona de casa e a melhor mãe;
  3. Reserve um tempo para se cuidar. Você precisa estar bem para cuidar das pessoas que ama. Vá ao cabeleireiro, faça atividades que lhe dão prazer, durma bem e se alimente;
  4. O dia tem 24 horas. Não se frustre caso não consiga fazer tudo que havia planejado. Isso é absolutamente compreensível;
  5. Tanto quem trabalha fora quanto quem cuida dos filhos em tempo integral, deve reservar um tempo de qualidade com os filhos. 30 minutos de atenção exclusiva, olho no olho, carinho, valem mais que 8 horas de presença sem qualidade.

É certo que famílias cuja mãe trabalha precisam se organizar, dividirem tarefas e terem uma rotina um pouco mais estruturada. Todos precisam compreender a razão que a leva a voltar ao mercado de trabalho: necessidade de aumentar a renda familiar, elevar a própria autoestima, entre outras diversas razões. E é necessário dar apoio. Todos juntos devem analisar, de acordo com a realidade da família, qual a melhor alternativa: trabalhar fora ou reservar um período de 1 ou 2 anos para cuidar dos filhos. Vejam no vídeo abaixo que cuidar dos filhos é uma posição muito bem reconhecida no mercado de trabalho:

E fiquem tranquilas mamães que trabalham: há estudos que evidenciam que crianças cujas mães trabalham fora de casa apresentam um desenvolvimento emocional, intelectual e comportamental tão bom quanto as outras crianças.

Para encerrar, abaixo uma CURIOSIDADE sobre a licença maternidade no mundo:

O período longe do trabalho varia de país para país. Na Dinamarca, os pais podem permanecer até um ano com os filhos depois do parto

Argentina 
13 semanas com 60% da remuneração para a mãe
Brasil 
16 semanas de licença remunerada para a mãe, com direito a um adicional de 15 dias para amamentação. Em cerca de 40 municípios, incluindo capitais como Fortaleza, Teresina e São Luís, leis locais garantem 180 dias de licença
Canadá 
15 semanas com 55% da remuneração, com a opção de um adicional de 37 semanas sem remuneração 
Dinamarca
Dois anos de licença remunerada para a mãe ou um ano para o casal
Estados Unidos 
A critério do empregador. Fundos mantidos por entidades de classe garantem o salário da mãe por até quatro meses
França 
16 semanas com 84% da remuneração para a mãe
Inglaterra 
26 semanas de licença remunerada para a mãe, que pode ser prorrogada para até um ano – nesse caso, sem remuneração
México
12 semanas de licença remunerada para a mãe
Suécia 
68 semanas a serem divididas entre mãe e pai. O pai pode ceder até 25 semanas para a mãe

Fonte: The World’s Women: Trends and Statistics, relatório das Nações Unidas

Flávia Tirado Leite Moris – Psicologia
Psicóloga Organizacional desde 1999
Psicóloga Clínica – Atendimento Adultos desde 2008
CRP 06/76942

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