Mulheres do séc. XXI: Nervos de aço ou nervos a flor da pele

Manoela Maria Queiroz Aquino

Manoela Maria Queiroz Aquino
Médica psiquiatra
CRM 108.053

 

Decidi escrever sobre esse tema como forma de homenagear as mulheres que, apesar de ser o gênero de maior incidência de doenças emocionais, apresentam um incrível poder de superação e grande capacidade de lidar com as adversidades nas suas diferentes funções e fases da vida.

É sabido que para que haja manifestação clínica de doença, alguns fatores devem estar presentes; daí entende-se desde vulnerabilidade genética; fatores sócio ambientais; fisiológicos; psicossociais; funcionamento nos eixos neuroendócrinos e de neurotransmissão; e capacidade de resiliência. As mulheres são mais expostas a estressores como violência, abusos, estupros desde muito precoce. Assim, desde a menarca até após a menopausa, algumas mulheres sofrem de transtornos específicos como o Transtorno Disfórico pré menstrual (TPM); depressões perinatal e perimenopáusica (irregularidades menstruais); blues e psicoses puerperais; assim como transtornos de ansiedade e de humor associados a infertilidade e gestações abortadas, além de maior incidência de transtornos alimentares; doenças auto imunes e quadros álgicos (fibromialgia, lúpus, entre outros).

Com a Revolução sexual fomos apoderadas de uma sobrecarga de funções tais como filha, mãe, esposa/ namorada, estudante ou profissional ativa e, após, numa etapa mais tardia da vida, somos privadas de todas elas. Tal acontecimento nos torna novamente grupo de risco para o aparecimento de patologias fruto dessas mudanças. Enquanto aos homens vivendo nessas mesmas fases, cabe a responsabilidade de gerir seu negócio, garantir proteção e prover sua família, o que justifica novamente sermos grupo de maior incidência de patologias emocionais nas diferentes fases da vida. Nesse contexto também podemos citar as doenças endocrinológicas e psiquiátricas, ambas diretamente ligadas, uma vez que o aparecimento de uma delas torna o meio fértil para o aparecimento da segunda.

Porém, somos nós também que buscamos ajuda mais precocemente e com menor resistência que os homens, o que torna melhor nosso prognóstico e curso de tais quadros. Hoje além do arsenal terapêutico farmacológico, existem várias outras medidas de suporte que nos auxiliam na manutenção de um bem estar físico e mental que favorecem uma recuperação e persistência do estado de melhora conquistados, evitando assim, as possíveis recaídas. São elas as psicoterapias em suas diferentes modalidades (individual ou em grupo); prática de exercícios regulares; técnicas de relaxamento e auto cuidado; envolvimento em atividades sociais e familiares sadias e com alguma periodicidade; assim como atividades de lazer. Todos esses cuidados supracitados oferecem um meio fértil e sólido que, somados a terapêutica medicamentosa, aceleram o processo de melhora e ajudam a mantê-la por um tempo mais duradouro.


Manoela Maria Queiroz Aquino
Médica psiquiatra
CRM 108.053

  • Formação em Terapia Comportamental e Cognitiva em Saúde Mental – USP Programa de Ansiedade (AMBAN) do Instituto de Psiquiatria HCFMUSP – 2015/2016 (cursando)
  • Coordenadora e docente da disciplina de psiquiatria em saúde mental na Universidade de Marilia desde 2011
  • Treinamento em Terapia Cognitiva Processual (TCP) – Professor Dr. Irismar Reis de Oliveira – USP – Ribeirão Preto – 2013
  • Médica psiquiatra no Programa de Distúrbios Afetivos na Universidade de São Paulo (UNIFESP) – 2005
  • Atuação em atendimento clínico psiquiátrico desde 2004
  • Residência médica em psiquiatria pela Faculdade de Medicina de Marília – 2002 à 2004
  • Formada em medicina pela Universidade de Marilia – 1997 à 2002

Endereço:
Instituto Cognitivo Comportamental de Marilia – www.iccmarilia.com.br
Rua 21 de abril, 263 – Maria Izabel – Marilia/SP
Fone: 14 3306 2096 / 14 3432 2559

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