Transtorno Bipolar: diagnóstico e tratamento através da TCC

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No texto de hoje conversamos com a Professora Doutora Roseli Lage de Oliveira, que integra o corpo docente da USP no Curso de Aperfeiçoamento em Terapia Cognitivo Comportamental, sobre como são realizados o atendimento e tratamento do Transtorno Bipolar através da TCC, suas abordagens e resultados esperados. Confira:

1. O que as pesquisas atuais tem mostrado em relação a etiologia do Transtorno?

De modo geral, os estudos demonstram que o Transtorno Bipolar é uma síndrome multifatorial, mas com forte componente neurobiológico. Isto mostra a inter-relação entre fatores genéticos, neuroanatômicos e neurofuncionais e o meio ambiente, seja por exposição a eventos estressores, hipersensibilidade a estes eventos, ou mesmo por padrões de aprendizagem e hábitos de vida não saudáveis, como o consumo de substâncias, privação de sono, entre outros.

2. No seu ponto de vista, quais os desafios que permeiam o atendimento de um paciente com Transtorno de Afetivo Bipolar?

Como em qualquer outro cliente que seja atendido, independentemente de seu problema ou transtorno mental, acredito que um dos maiores desafios seja compreender com clareza suas dificuldades e desenvolver uma genuína empatia. Contudo, em pacientes com transtorno bipolar, um dos maiores desafios é manter a estabilidade do quadro, promovendo a adesão ao tratamento, pois estes clientes, frequentemente, interrompem o tratamento, param de tomar os medicamentos e acreditam estarem bem, não precisando mais de acompanhamento profissional.

3. Diante destes desafios, qual a conduta indicada para orientar o paciente, principalmente quanto a melhoria da habilidade social?

Aqui há dois aspectos….

Por um lado há o aspecto da baixa adesão ao tratamento e, neste caso, é fundamental a psicoeducação quanto ao problema e ao tratamento. O cliente precisa compreender que há causas neurobiológicas envolvidas e que a medicação será a pedra angular do seu tratamento. Outro aspecto central no tratamento é auxiliar o cliente a detectar, o mais precocemente possível, os sinais de recaída e aprender a como lidar com o problema, monitorando o curso e severidade dos sintomas.

Quanto ao aspecto da habilidade social, este é um componente muito importante no tratamento, pois há estudos que demonstram uma dificuldade deste paciente em identificar corretamente as expressões faciais, ou até mesmo, expressá-las adequadamente, o que dificuldade suas interações sociais. O treino de habilidades sociais pode auxiliar o cliente a identificar adequadamente as próprias emoções e as dos demais, e a se comportar de modo mais socialmente habilidoso, flexibilizando seu comportamento de acordo com o contexto no qual está inserido.

4. Em relação aos comportamentos, quais os mais clássicos e esperados neste transtorno?

O modo como ele se comporta tipicamente, dependerá de qual episódio o cliente esteja.

- Se estiver em um episódio de mania, serão comuns comportamentos como um humor exagerado, eufórico, podendo referir a si como superior aos demais. Nota-se agitação psicomotora, iniciando várias tarefas, mas apresentando dificuldade em concluí-las. É comum certos comportamentos “exagerados”, como uma maior hipersexualidade, compras excessivas, trabalhar até altas horas ou até a noite toda. Não é incomum encontrar nestes pacientes uma instabilidade na vida, no que se refere à trabalhos, relacionamentos amorosos, relações sociais, atividades acadêmicas, entre outros.

- Se estiver em um episódio de depressão, pode ser comum encontrar comportamentos como apatia, fadiga, desânimo acompanhado por querer ficar na cama a maior parte do tempo, mesmo que este tenha referido não conseguir dormir, deixar de fazer atividades que antes lhe eram prazerosas, apresentar prejuízo no autocuidado e em tarefas simples do cotidiano, como cuidar de uma casa, pagar as contas, deixar de tomar os medicamentos, entre outros. Apresenta dificuldade muitas vezes para iniciar qualquer tarefa, mesmo que aparentemente seja simples, ou que o custo de resposta não pareça ser alto. Deve-se considerar qual a intensidade do episódio depressivo neste caso.

 5. Qual a forma mais adequada para psicoeducar o paciente quanto ao uso e manutenção do tratamento medicamentoso?

A melhor maneira de explicar sobre o que é o Transtorno Bipolar e suas possíveis causas é identificar, junto com o cliente, como ocorreram os ciclos de alteração patológica do humor ao longo da sua vida. Neste caso, pode ser útil o uso do Life Chart, pois quando construído em conjunto com o cliente, possibilita conhecer a história da doença, permeada pela história da vida do cliente, além de permitir identificar a tendência de episódios predominantes, se há eventos estressores associados ou parada de medicação, se houve prejuízos decorrentes dos episódios e quais foram eles, quais os principais sintomas que o cliente apresentava em cada episódio, por quanto tempo se mantinha eutímico, etc.

Pode-se utilizar como material complementar o uso de folders de psicoeducação, com linguagem acessível ao paciente, o uso de filmes e livros, para que ele consiga identificar nos personagens o que ocorre com ele.

6. Dentro da TCC, quais as estratégias mais relevantes para o tratamento?

Diversas podem ser as técnicas a serem utilizadas com este tipo de problema em TCC, mas tudo dependerá de uma boa avaliação cognitivo comportamental. Só a partir dela será possível identificar em qual fase da doença o cliente se encontra e quais são as suas maiores dificuldades. Algumas das técnicas que podem ser utilizadas são: psicoeducação, afetivograma, lista de resumo de sintomas, planejamento de tarefas, treino de habilidades sociais, e muito mais.

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